terça-feira, 15 de março de 2016

Aconteceu ontem em sala de aula...



A vida de professora me permite vivenciar uma mistura de sentimentos e sensações que acho um dos aspectos mais bonitos da minha profissão.
Vou compartilhar algo muito significante que vivi ontem.
Vou contar sem floreios e rodeios... só contar!

Bem, meus alunos da disciplina de Educação Nutricional estão sempre cheios de provas, seminários, trabalhos e exercícios para fazer. Muitas disciplinas de uma vez só, força o estudante a fazer escolhas:
eles escolhem estudar para uma prova ou ler um texto interessante,
escolhem estudar para uma prova ou dormir,
escolhem estudar para uma prova ou assistir a um filme,
escolhem estudar para uma prova ou para outra...
E fico pensando, será que escolhem? É este o verbo?

Enfim, o fato é que em uma de minhas aulas, ao fazer uma pergunta considerada simples por mim, o silêncio imperou na sala e aqueles jovens futuros nutricionistas não conseguiram elaborar uma ideia do que eu havia perguntado.
Poxa! Meu coração de professora se encheu de tristeza e decepção. Pensei: não foi o meu texto o escolhido para ser lido por eles. Mas aí lembrei de Paulo Freire, tentei com amorosidade explicar para eles o que significava aquela momento. Saí triste da sala, mas logo passou e esqueci daquele sentimento da aula.

Mas quando retornei para aula na outra semana vivenciei algo que não esquecerei.

Um aluno pediu a fala e disse que a turma havia refletido sobre o que havia acontecido na aula passada e refletindo, chegaram a um entendimento que realmente precisavam ler sobre aquele conteúdo da disciplina de Educação Nutricional.
Nessa hora, eu já estava tomada de emoção por ter ouvido a frase "NÓS REFLETIMOS JUNTOS", afinal não é isso que um professor deseja? Que seus alunos PENSEM! REFLITAM! ELABOREM! Eles decidiram estudar juntos e juntos elaboraram uma resposta para pergunta que ficou no vácuo na aula passada. Me entregaram um cartaz e agradeceram pela "bronca amorosa".
E foi possível ter aula depois disso?
Claro que sim, foi preciso só enxugar as lágrimas e abrir o sorriso da alma de professora!

Vanille Pessoa


terça-feira, 8 de março de 2016

Devaneios da madrugada...



Sabe quando dá uma vontade de não sei o quê?
Quando o pensamento começa a ficar meio não sei como?
Quando a cabeça dá voltas não sei por onde?
E quando se sente uma sensação meio sei lá?

Pois então...
Ela está meio assim hoje...

E alguém por acaso sabe explicar o porquê? 
Claro que não, né?
Se nem ela mesmo conseguiu trazer o conceito...
                                                          a definição...
                                                          a explicação...
                                                          a clareza...

Ela não consegue explicar simplesmente por que se perdeu dentro da melodia que toca repetidamente em sua mente, em sua alma, em suas veias.
A melodia conduz o seu pensamento para outros espaços, outras realidades, outros lugares, outros tempos.

Tempos...Tempo... era isso que atrapalhava a garota. Por isso ela desistiu de brigar com a ampulheta e decidiu ver a fina areia cair ora rápida demais, ora tão lenta que parecia ter congelado... Ela se permitiu... 
                         se aceitou... 
                         se enxergou...
                         se entendeu?

Claro que não moço! Assim perde a graça! 

Vanille Pessoa 






terça-feira, 1 de março de 2016

A vida permite quando a gente se permite...





     Quando decidi ir trabalhar numa cidade pequena no interior da Paraíba nem podia imaginar como os meus horizontes podiam se expandir... Controverso? Eu pensaria que sim 6 anos atrás...

     Menina, você vai fazer o quê numa cidade desse tamanho? Perguntavam os leigos de vida. E não vou mentir... me perguntei também! Leiga também era... ainda sou... mas menos, um pouco menos a cada dia que decido VIVER. 

    Só que algo aconteceu, algo surpreendente, algo novo, algo mágico... algo... Aconteceu que eu me permiti... permiti que meus olhos não apenas observassem o visível, mas decidi treinar o olhar para além do que era possível ver... O tal olhar... Ahh... o olhar...

     E quando você se permite não é apenas a visão que sofre alterações loucas. Todos os sentidos são modificados, aflorados, sensibilizados, tocados, transformados...Incrível! O sabor é realçado por cores que você nem percebia. O cheiro de eucalipto na estrada é tão intenso que faz você ficar segundos de olhos fechados esperando o toque da noite em seu nariz... e a noite toca... suave e perfumada. E o som? Nossa!!! Melodias são tiradas de frases, sussurros, gritos, berros e silêncios... Música... tudo vira música! 

     Coisa boa quando a gente se permite... uma simples noite de sexta-feira de lua pode se transformar numa trilha guiada por estrelas num caminho de eucaliptos perfumados numa estrada que pode até levar a uma casa de bonecas... 
Podia ficar em casa descansando... a semana foi pesada de trabalho e suor... mas decidiu se permitir... decidiu ir... decidiu caminhar... decidiu olhar... decidiu sentir... que bela decisão! Pois chegando lá, quando pensou que acabava, não era o fim, tudo começava... eram outros sons e cheiros... era sanfona e triângulo harmonizando com o calor e cores da fogueira. Era "um monte" de gente nova... monte de gente! Era alimento servido na telha e alimento servido na alma! 

   Podia ter ficado em casa... mas foi... por que entendeu que a vida permite quando a gente se permite...


Vanille Pessoa