sexta-feira, 27 de abril de 2018

Recorrendo ao poema



A MIRAGEM NO CAMINHO 

Perdeu-se em nada, 
caminhou sozinho, 
a perseguir um grande sonho louco. 
(E a felicidade 
era aquele pouco 
que desprezou ao longo do caminho).

Helena Kolody

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Se eu não acordar amanhã...



Se eu não acordar amanhã...

Desejo que você tenha entendido que só desejei o seu bem...
Desejo que você tenha entendido que todos os sorrisos foram sinceros e as risadas largas alimentaram minha alma...
Desejo que você saiba que os beijos foram verdadeiros...
Desejo que você saiba que foi uma honra ser sua amiga e compartilhar tanta maluquice...
Desejo que você saiba que foi incrível ser seu espelho e muito engraçado ser sua gêmea...
Desejo que você saiba que um dos maiores prazeres da vida foi ser professora e tentar ser educadora...
Desejo que você saiba que doei o meu melhor...
Desejo que você saiba que tentei ser uma boa filha, mesmo quando perdi a paciência e quando deixei de dizer "amo você"...
Desejo que você saiba que fui uma irmã orgulhosa pelo que você é...
Desejo que você entenda que fui a companheira que consegui ser...
Desejo que você não esqueça as palavras trocadas sem querer...
Desejo que você sorria quando lembre das minhas "vanilices"...
Desejo que você não esqueça das idas à praia...
Desejo que você compreenda que pensei muito em pedir desculpas pelo que nem sei que cometi...
Desejo que você delete as palavras sem necessidade que saíram da minha boca...
Desejo que você lembre das histórias de Cabedelo da sala de aula...
Desejo que você guarde o cheiro do meu abraço...
Desejo que você recorde do cafuné que eu sempre pedia...
Desejo que você sorria lembrando que a minha comida era horrível...
Desejo que você acredite que tentei tocar violão...
Desejo que você tenha certeza que quando perdi a paciência e briguei , foi por que acreditava no que estava defendendo...
Desejo que você nunca desista dos seus sonhos...
Desejo que você não deixe o Núcleo morrer...
Desejo que você gargalhe ao lembrar dos selfies bizarros...
Desejo que você chore de rir lembrando de todas as vezes que cometi gafes terríveis...
Desejo que você não apague da mente o quanto você foi importante para mim...

Desejo que vocês entendam que nem sempre foi fácil ser baunilha tendo essência de pimenta...


... de uma noite angustiante... que se for a última... precisa ter deixado um recado...

domingo, 15 de abril de 2018

Gosto de infância...



Desde que minha mãe começou a perder a memória que eu dou mais valor a lembranças e recordações...

Hoje fiz uma visita à minha infância... e o veículo foi a comida...

Abacate amassado com açúcar e leite em pó... delícia.
Sabor que me fez lembrar o cheiro do quintal da casa da infância... que trouxe a memória aquela menina "pixototinha" de calcinha e blusa regata sentada em um "tamborete" de madeira comendo "Mingau de Prato" de abacate!

Muito bom... dona Lúcia me deu esses abacates e nem sabe o tamanho do presente que me deu...

terça-feira, 20 de março de 2018

Ser PROFESSOR


Neste momento o relógio marca 02:50h da manhã.
Acabei de finalizar a escrita de um Programa de Extensão que irei submeter daqui a pouco... antes de dormir lembrei de uma história que aconteceu e resolvi compartilhar aqui...


Faz poucos dias que fui acompanhar uma prática da disciplina de Educação Nutricional em uma escola de Cuité. Coloquei meu macacão jeans, minha sapatilha e segui para por em prática uma das coisas que mais gosto na vida: SER PROFESSORA.
Pois bem, ao finalizar as atividades fiquei um tempo olhando o whatsApp na frente da escola e eis que um diálogo inesquecível ocorreu com uma adolescente que não sei quem é e muito menos sei o nome.
          Adolescente: Ei, você é o quê?
          Eu: Sou professora.
          Adolescente: Você é professora dessa escola aí?
          Eu: Não, sou não. Sou professora da Universidade.
          Adolescente (perplexa): Você é professora da Universidade??????????????
          Eu: Sou... pq?
          Adolescente: Pq você não tem cara de professora da universidade.
          Eu: Ai meu Deus... e eu tenho cara de quê? (já tive medo da resposta que ouviria)
          Adolescente: Oxe, você tem cara "das minhas amigas"!
          Eu: :)     :)     :)     :)     :)


Desde este dia que estou refletindo ainda mais sobre ter "cara" de professor, "jeito" de professor, se vestir como professor, falar como professor...
O que se espera de um professor universitário afinal? O que é mesmo ser professor?

Eu comecei a dar aulas de alfabetização quando tinha 9 anos e ao longo da minha vida a docência sempre esteve presente mesmo quando eu não tinha consciência disso.
Alfabetizei "amiguinhos" da rua, dei aulas de reforço na adolescência para ter dinheiro para comer melhor, ministrava aulas para minhas estagiárias no PSF em Cabedelo, dei aula em faculdades particulares e cá estou eu... professora da Universidade Federal de Campina Grande... ADORO!

Mas todos os dias eu tento ser uma educadora... tento refletir como será a melhor aula para aquela turma? Que métodos se adequam melhor para este conteúdo? O que perguntar em uma prova escrita? O que eu quero avaliar do meu aluno?

Sempre quis ser uma professora diferente de alguns professores que tive... eu pensava: se um dia eu for professora da universidade, nunca vou fazer isso com meus alunos - desconsiderar que eles são seres humanos, impor o meu ritmo de pensamento, elaborar uma prova com 4 questões onde duas são "cascas de bananas" (nunca entendi o objetivo disso), se orgulhar do número massivo de reprovações, deixar o  aluno pensar que por ser estudante ele precisa ficar sem comer, sem dormir, sem namorar, sem viver... pq estudar é isso... Nossa!!!! Como eu queria ser professora só para ser diferente disso!

Ouvi recentemente que eu SÓ tinha duas disciplinas de sala de aula (acreditem, algumas pessoas acham que é apenas nas 4 paredes da sala de aula que se formam futuros profissionais) e que por isso eu podia "pegar" mais alguma disciplina, quem sabe um campo de prática em saúde coletiva...
Decidi responder que não "pegaria" mais uma disciplina pq não queria... resposta simples para evitar conflito... por dentro eu lembrava que coordeno e supervisiono Estágios sozinhas a mais de 1 ano, sou tutora de um PET que pela lei me confere 10 créditos, coordeno 4 projetos de extensão, tenho 2 monitorias, 5 orientandos, 2 projetos de pesquisa, estou Conselheira do CONSEA Estadual, Conselheira suplente do Conselho de Cultura de Cuité... tá bom... realmente APENAS essas duas disciplinas devem ser muito pouco quando se compreende o trabalho docente como um "fazedor de aulas". Uma pena...

Encerro minha noite hoje lembrando esse texto de Rubem Alves (que compartilho logo abaixo) e pensando o quanto precisamos refletir, discutir e dialogar sobre SER PROFESSOR!


"Formação do Educador - Rubem Alves
Sonho com uma escola em que se cultivem pelo menos três coisas.
Primeiro, a sabedoria de viver juntos: o olhar manso, a paciência de ouvir, o prazer em cooperar. A sabedoria de viver juntos é a base de tudo o mais.
Segundo, a arte de pensar, porque é a partir dela que se constroem todos os saberes. Pensar é saber o que fazer com as informações. Informação sem pensamento é coisa morta. A arte de pensar tem a ver com um permanente espantar-se diante do assombro do mundo, fazer perguntas diante do desconhecido, não ter medo de errar, porque os saberes se encontram sempre depois de muitos erros.
Terceiro, o prazer de ler. Jamais o hábito da leitura, porque o hábito pertence ao mundo dos deveres, dos automatismos: cortar as unhas, escovar os dentes, rezar de noite. Não hábito, mas leitura amorosa. Na leitura amorosa entramos em mundos desconhecidos e isso nos faz mais ricos interiormente. Quem aprendeu a amar os livros tem a chave do conhecimento.
Mas essa escola não se constrói por meio de leis e parafernália tecnológica. De que vale uma cozinha dotada das panelas mais modernas se o cozinheiro não sabe cozinhar? É o cozinheiro que faz a comida boa mesmo em panela velha. O cozinheiro está para a comida boa da mesma forma como o educador está para o prazer de pensar e aprender. Sem o educador o sonho da escola não se realiza.
A questão crucial da educação, portanto, é a formação do educador. “Como educar os educadores?”
Imagine que você quer ensinar a voar. Na imaginação tudo é possível. Os mestres do vôo são os pássaros. Aí você aprisiona um pássaro numa gaiola e pede que ele o ensine a voar. Pássaros engaiolados não podem ensinar o vôo. Por mais que eles expliquem a teoria do vôo, só ensinarão gaiolas.
Marshal McLuhan disse que a mensagem, aquilo que se comunica efetivamente, não é o seu conteúdo consciente, mas o pacote em que a mensagem é transmitida.  “O meio é a mensagem.” Se o meio para se aprender o vôo dos pássaros é a gaiola, o que se aprende não é o vôo, é a gaiola. 
Aplicando-se essa metáfora à educação podemos dizer que a mensagem que educa não são os conteúdos curriculares, a teoria que se ensina nas aulas, educação libertária etc. A mensagem verdadeira, aquilo que se aprende, é o “embrulho” em que esses conteúdos curriculares são supostamente ensinados.
Tenho a suspeita, entretanto, que se pretende formar educadores em gaiolas idênticas àquelas que desejamos destruir.
Os alunos se assentam em carteiras. Professores dão aulas. Os alunos anotam. Tudo de acordo com a “grade curricular”. “Grade” = “gaiola”. Essa expressão revela a qualidade do “espaço” educacional em que vivem os aprendizes de educador.
O tempo do pensamento também está submetido às grades do relógio. Toca a campainha. É hora de pensar “psicologia”. Toca a campainha. É hora de parar de pensar “psicologia”. É hora de pensar “método”… 
Os futuros educadores fazem provas e escrevem papers pelos quais receberão notas que lhes permitirão tirar o diploma que atesta que eles aprenderam os saberes que fazem um educador.


Desejamos quebrar as gaiolas para que os aprendizes aprendam a arte do vôo. Mas, para que isso aconteça, é preciso que as escolas que preparam educadores sejam a própria experiência do vôo."





sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

ACREDITAR...



Faz uns dias que ouvi o Bráulio Bessa declamar mais um de seus belos poemas na televisão...
A força daquelas palavras perfuraram a minha alma de um jeito que tenho a total convicção que ao se debruçar sobre o papel ao escrever aqueles versos, ele não podia imaginar o efeito que podia causar....

Foram tão fortes e intensas para mim que resolvi ouvir e copiar...
Ler e gravar...
Declamar e repetir para mim mesma ACREDITE...

Fiquei pensando nas incontáveis vezes que desisti de acreditar em mim, mesmo quando com palavras verdadeiras eu encorajava outras pessoas a acreditar em si mesmas... 

Já parou para pensar quantas vezes as palavras de encorajamento que você disse a outras pessoas serviria precisamente para você mesmo?

Acredite menina! Acredite e Realize...

Compartilho aqui o lindo Texto de Bráulio Bessa.


"Acreditar, meu povo!
Acreditar é ter fé naquilo que ninguém prova.
É dispensar a certeza que geralmente comprova
Pois a dúvida é uma dívida e a conta só se renova
Acredite no improvável, acredite no impossível
Enxergue o que ninguém vê,
Perceba o imperceptível
Enfrente o que para muitos parece ser invencível
Acredite em você, na força da sua fé
Nas vezes que você teve que remar contra maré
Cada não que alguém lhe disse talvez
Fez com que surgisse um desejo de provar
Que quando a gente tropeça, se levanta e recomeça sem parar de caminhar.
Acredite em tudo aquilo que lhe torna diferente
Em tudo que já passou e no que vem pela frente
Acredite, seja forte, e não espere pela sorte
Não espere por ninguém, pois de tanto esperar
Você pode estacionar e deixar de ir além
Acredite, acredite e não se explique
Pois poucos vão entender
Só se compreende um sonho se o sonhador for você
A quem possa lhe animar, a quem possa duvidar, A quem lhe faça seguir
Mas não descuide um segundo
Pois muita gente no mundo quer lhe fazer desistir
Acredite, pense, faça, use sua intuição
Transforme sonho em suor
Pensamento em ação
Enfrente cada batalha sabendo que a gente falha
E que isso é natural
Cair pra se levantar
Aprender pra ensinar
Que o bem é maior que o mal
Que primeiro a gente planta e só depois vai colher
O roteiro é sempre esse
Lutar pra depois vencer
E que a arma mais potente seja sempre a sua mente
Munida só de bondade
Se você não se entregar dá até pra acreditar nessa tal humanidade
Enfim, acredite em tudo que é bom e lhe faz bem
Acredite inclusive no que lhe faz mal também
Já que pra se proteger é preciso conhecer o que se vai enfrentar
Que você nunca se esqueça, não importa o que aconteça.

Não pare de acreditar." 


sábado, 3 de fevereiro de 2018

Curar-se acima de tudo



Sabe aquela menina que vivia sorrindo?

Menina não. Ela já não é uma mulher? Eu diria até que ela já é coroa, não é não?

Estou em dúvida, quando é que se deixa de ser menina para tornar-se mulher? Para tornar-se adulta? Para tornar-se...

Muitas explicações para um processo natural. Muitos conflitos para algo tão fluente.

A menina que não queria deixar de ser menina passou a não mais saber lidar com a mulher que inventava desejos novos, que falava novidades, que ousava ser ela mesma, que gradativamente saía da reta planejada e começava a desenhar curvas sinuosas e imprevisíveis.

Aquela mulher imaginava ser tão autêntica...
                                                tão forte...
                                                tão decidida...

Descobriu que em meio a autenticidade, há dias de medos...
Percebeu que até a fortaleza, as vezes é abalada pela realidade...
Entendeu que toda decisão é precedida de muitas incertezas, dúvidas e imprecisões...

E aquela mulher tornou-se sobrevivente das armadilhas de sua mente, das prisões da sua alma, das maluquices de seu coração e em meio a tanta confusão, encontrou na música e na palavra a maneira de colocar para fora a vontade sincera de se curar.

Curar-se... curando-se...




Música de Flaira Ferro. Me curar de mim.

sábado, 4 de novembro de 2017

A flor



Era uma planta que parecia resistente...

Dela brotava uma flor que se mantinha perfumada e colorida em meio a todas as adversidades.

Pois não é que até cacto morre por falta de cuidado...

E a flor que parecia aguentar inverno e verão... começou a dar sinais de desistência.

E ao olharem para aquela cena, o seres cobravam da flor a vitalidade, a cor e o perfume...

A flor aceitava a cobrança e permanecia buscando do profundo da terra a seiva necessária para pelo menos se manter viva, mesmo que sem cor e perfume...

Mas flor sem cor e perfume, não é flor... qual razão de ser então?

Difícil decisão da flor agora... existir sem cor e perfume... ou se reinventar e colorir-se de outra cor e outro perfume...

É difícil? Parece tão fácil... não precisa nem pensar muito. 

Então por que cobrar da flor que ela apenas exista...

Por que? 

Vanille Pessoa